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Há quem vai pensar que lá vem mais um discurso do pessoal dos “direitos humanos”. Há quem vai se interessar, ler e gostar. Ou não. O objetivo não é que concordem com minha opinião, mas que minhas palavras sirvam, ao menos, como reflexão. Se causar inquietude, seja ela qual for, o objetivo foi alcançado.

Não são poucas as notícias de linchamentos, torturas (não só contra criminosos), crimes premeditados, corrupção, enfim. Sabemos bem os tempos obscuros em que vivemos. A vida está com muito pouco valor. A política está um caos. A integridade física é desmerecida a todo instante. O ódio e a intolerância espalham-se na mídia, nas conversas informais, na academia, nos corações.

O ápice disso foi a tatuagem no rapaz, nos últimos dias, onde dizia: “sou ladrão e vacilão”. Não tem justificativa e aqui eu não estou e nem quero defender o que ele fez ou deixou de fazer. Todo mundo erra e, digo mais: quem aplaudiu a atitude do tatuador se colocou em nível igual, tanto do tatuador, quanto do indivíduo que teve seu rosto danificado. O que ocorre, antes da falta de amor entre todos nós – e aqui é entre todos, mesmo- é a falta de empatia.

Empatia é o ato de se colocar no lugar do outro. E é isso que nos falta, pois acusar, rir, aplaudir a desgraça alheia sempre é mais fácil do que parar e pensar que por vezes a nossa atitude se iguala com a do criminoso que a gente deseja a pena de morte. Ninguém é melhor ou superior que ninguém. O que pode acontecer, é que os ditos cidadãos de bem cometem os delitos não perseguidos pelo estado brasileiro e, consequentemente, dignos de pena, se acham superiores a muita gente.

O Brasil tem um alto índice de criminalidade e isso é inegável, todavia, não nos cabe ficar clamando por mais prisão, por pena de morte, sem pensar na prevenção e o porque desse crescente índice, já que o modelo punitivo que temos atualmente não está resolvendo. E a prevenção depende de cada um de nós. Depende da orientação/educação dos pais aos filhos, depende do incentivo ao esporte, depende de políticas públicas de saúde e assistenciais nas comunidades.

Não podemos continuar sendo essa fábrica de prisão, verdadeira escola da criminalidade. O Brasil conta atualmente com mais de 700.000 presos e isso é preocupante, já que apesar desse número absurdo, a criminalidade cresce dia após dia no seio da sociedade.

A criança merece atenção sim, o jovem merece atenção sim, porque eles são o nosso presente e futuro. Quem deve acolhê-lo não é o traficante, mas sim a escola, por ser atrativa e não somente obrigação. As buchas que eles devem ter contato são os golaços que deveriam fazer no futebol (como chamamos aqui no sul) e não aquelas que eles transportam em busca de dinheiro fácil. Os valores estão invertidos. Não se tem mais conhecimento e contato com valores relevantes a uma boa formação individual e consequentemente, societária.

Portanto, acredito que podemos repensar nossas atitudes, ideias e ideais, uma vez que, conforme dito anteriormente, atirar a primeira pedra sempre é mais fácil. De ódio e intolerância o mundo está cheio. Não adianta reclamar, sair inseguro e clamar pelo porte de arma, meu caro cidadão de bem, se tu ajudas a espalhar ódio por aí.

Vamos espalhar amor e respeito. Vamos resgatar os valores. Pensem no que vocês têm espalhado: amor, respeito, ódio ou intolerância? Reflitam sobre o que gostariam de colher, pois como diz aquele velho ditado: se colhe o que se planta. E não esqueçamos: o reflexo da sociedade somos nós mesmos.

 

Fonte: Carta Capital

Escritora: Bruna Andrino de Lima é advogada, atuante no Tribunal do Júri. Graduada em Direito pela UniRitter Laureate International Universities. Pós – Graduanda em Direito Processual Penal e Direito Penal com Ênfase em Segurança Pública pela Uniritter/Canoas. Colaboradora da Rede do Bem.